Pangolim e coronavírus: entenda sua relação com o surgimento da pandemia e com o comércio ilegal de animais selvagens

Evidências da relação entre o animal e o surgimento da doença fortalecem debate sobre proibição da atividade ilícita

Desde que o novo coronavírus se espalhou e obrigou boa parte da população mundial a adotar medidas de distanciamento social para tentar diminuir o número de casos, cientistas de todo o globo têm tentado descobrir a origem do COVID-19.

A resposta mais provável é que tenha sido de algum animal selvagem. O maior suspeito, inicialmente, era o morcego. Mas novas pesquisas também relacionam o vírus ao pangolim. Há evidências de que o animal possa ser um dos hospedeiros que ajudaram o parasita a encontrar os humanos.

Pangolins ou morcegos?

As pesquisas ainda não são conclusivas, mas as duas espécies podem ter relação com o surgimento do novo coronavírus. A busca por essa resposta começa nas primeiras pessoas com casos confirmados, frequentadoras de um mercado de frutos do mar que também vendia animais selvagens, em Wuhan, na China.

Como a suspeita é de que o novo coronavírus tenha infectado os primeiros humanos no continente asiático, as espécies nativas de lá têm sido as mais estudadas. O objetivo é descobrir em qual animal o Sars-CoV-2 surgiu e qual foi o caminho que ele percorreu até chegar a nós.

Os vírus que apresentam mais semelhança com o do novo coronavírus foram identificados nos morcegos. No entanto, outros tão semelhantes quanto foram identificados nos pangolins.

Um detalhe importante que tem chamado a atenção dos pesquisadores é que a estrutura que o vírus nos pangolins usa para se conectar com as células é mais

parecida com a dos humanos. A dos morcegos costuma ser bem diferente nesse aspecto específico.

Talvez os dois?

Com essas evidências, uma terceira teoria tem ganhado força: o coronavírus que contamina os humanos pode ser resultado de uma mistura genética entre os vírus de morcegos e pangolins.

Desse modo, o pangolim pode ter sido o intermediário entre os morcegos e os humanos. O processo é comum entre os vírus e foi mais ou menos o que aconteceu com o H1N1, que tem genes semelhantes aos de porcos e aves.

O que o comércio de animais selvagens tem a ver com isso?

O comércio de animais selvagens deve estar diretamente relacionado com toda essa situação. Se qualquer uma dessas teorias for confirmada, a passagem do vírus desses hospedeiros para os humanos deve ter se dado, provavelmente, pelo consumo desses animais.

Bichos selvagens são populares em mercados da Ásia, como o que pode ter dado origem à pandemia. O pangolim é, entre eles, o mais comercializado ilegalmente em todo o mundo. Estimativas dizem que pelo menos 100 mil mamíferos dessa espécie sejam vendidos por ano, especialmente, na China e no Vietnã.

Nesses países, as escamas do mamífero costumam ser amplamente utilizadas na medicina tradicional por isso, o pangolim-malaio está, inclusive ameaçado de extinção.

Cientistas e ativistas já argumentam há tempos que a prática de consumir bichos exóticos é um perigo para a saúde humana, debate que agora ganhou força. Os estudiosos alertam que já foram identificados milhares de vírus que podem ser graves para os humanos nesses animais.

O consumo de bichos selvagens é tradicional em muitos países asiáticos, mas seus praticantes são acusados de dizimar espécies e destruir habitats. Esse costume ainda coloca os humanos diretamente em contato com os vírus desses animais, contra os quais, geralmente, não temos anticorpos.

Quem ainda não é contra esse tipo de comércio, mesmo quando essa pandemia for controlada, deveria finalmente aprender que os animais selvagens são hospedeiros muito prováveis para outros parasitas, como os citados aqui, e deixá-los em paz. Talvez seja a hora de repensar a tradição em benefício da saúde coletiva e da conservação de todas as espécies.

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