Exposição em Poços de Caldas homenageia 28 mulheres que se destacam na cidade

Desde 2012, vivemos o que é apontado por estudiosos como a quarta onda do feminismo. A luta pela igualdade de direito entre os gêneros teve diversas fases, ao longo da história, e a atual é, geralmente, relacionada com a disseminação da discussão através das redes sociais. 

 

 

O Shopping Poços de Caldas, na cidade de mesmo nome, no Sul de Minas Gerais, recebe, durante todo o mês de março, a exposição Mulheres Notáveis.  

Além da imagem feminina 

O evento, que teve abertura oficial no dia 3 deste mês e vai até o dia 31 de março, homenageia figuras femininas importantes da cidade. A programação faz parte da agenda de comemorações do mês em que é celebrado o Dia Internacional da Mulher.  

 A expografia da mostra foi construída com fotos das 28 homenageadas pela curadoria do evento. Além das imagens, estão a biografia de cada uma delas. Lado a lado, estão economistas, professoras, arquitetas, médicas, artistas plásticas e outras profissionais de diversos setores. Quem não estiver na cidade e se interessar pela mostra, pode utilizar as linhas da Viação Gardênia para chegar até o charmoso município mineiro. 

 A exposição acontece todos os anos desde 2016, chegando a sua quinta edição em 2020. Em nota oficial, a administração do Shopping Poços de Caldas diz que se sente honrada por fazer parte da história de algo tão importante e inspirador. 

 O centro de compras é considerado um dos mais importantes das regiões do Sul de Minas e do Leste Paulista. Por isso, e pela quantidade de pessoas que circulam o espaço todos os dias, é o lugar ideal para trazer a tona o importante papel das mulheres no mundo. 

Desigualdades de gênero 

Os resultados de uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, entre 2012 e 2018, mostram que as mulheres ganham menos que os homens em todos os setores da economia. Em média, pessoas do gênero masculino ganham até 20,5% a mais que as do feminino. 

 Dados se tornam ainda mais alarmantes quando olhamos para os números de mortes motivadas pelo ódio de gênero, em especial o feminicídio. O Brasil é o quinto país em mortes violentas de mulheres no mundo. Os números, infelizmente, só crescem. Em 2019, por exemplo, houve um crescimento de 7,3% desses casos em relação ao ano anterior. 

 A igualdade salarial, a oposição e luta contra a violência são exatamente os pontos centrais dos direitos exigidos pelas lutas alinhadas com a quarta onda do feminismo. Por isso, celebrar mulheres que conquistam seu espaço numa sociedade machista é tão importante. 

Histórico de batalhas e conquistas 

O feminismo, como um todo, teve origem paralela a revoluções liberais que questionavam o privilégio a partir de ideias iluministas. Destacam-se, entre essas, a Revolução Francesa e a Revolução Americana. Um marco do movimento no Brasil é o direito das mulheres ao voto. Até 1932, somente homens podiam votar no país. 

 Uma referência mais antiga é o direito de meninas frequentarem as escolas, que aconteceu 1827. E só em 1952 as mulheres teriam seu primeiro jornal oficial. Criado e editado exclusivamente por mulheres, o Jornal das Senhoras foi um importante meio de comunicação na disseminação das ideias feministas. 

 Até 1879, porém, as mulheres não eram aceitas em faculdades. Só em 19 de abril desse mesmo ano é que um decreto de lei nacional permitiu que elas pudessem ser oficialmente estudantes do ensino superior. 

 Dados recentes também chocam. Até 1979, as mulheres não eram autorizadas a praticar todos os esportes. Já no milênio dos anos 2000, foi só em 2002 que o Código Civil retirou a possibilidade de anulação do casamento caso a mulher não fosse virgem antes da cerimônia e, somente em 2006, a Lei Maria da Penha foi criada.